Flores do Mindelo vai acender 140 velas a Mindelo: Visita de Príncipe do Mónaco a S. Vicente foi a grande inspiração para o enredo

Flores do Mindelo vai acender 140 velas a Mindelo: Visita de Príncipe do Mónaco a S. Vicente foi a grande inspiração para o enredo

A visita oficial do príncipe Alberto II do Mónaco a Cabo Verde em Setembro de 2017 serviu de inspiração e até de ponto de partida para o enredo que o grupo Flores do Mindelo vai apresentar no desfile carnavalesco deste ano, com o título Um monte com cara de gente e um monte de gente cara. O motivo é simples: no dia 21 desse mês, sua alteza ofereceu ao presidente Jorge Carlos Fonseca, na cidade do Mindelo, uma prenda de alto valor científico e recheado de simbolismo: o único exemplar embalsamado de um lagarto gigante endémico do arquipélago e que foi levado para a Europa pelo seu trisavô, a quando de uma expedição científica de Alberto I a estas ilhas atlânticas, em 1902.

Segundo Emanuel Ribeiro, autor do enredo, esse acontecimento interpelou Flores do Mindelo porque acaba por dizer ao povo cabo-verdiano que, apesar das lamentações, tem o privilégio de viver num arquipélago de coisas únicas a nível da fauna e da flora, cultural, geográfico… No caso de S. Vicente, acrescenta, a ilha pode ser o Mónaco tropical, um pequeno espaço habitado por apenas 80 mil almas, mas que já produziu figuras de reconhecido mérito a nível mundial, como são os casos da Cesária Évora, vencedora de gramys, ou um Nani, que chegou a cingrou na Premier League.

“O enredo enfatiza o nosso endemismo original – do ponto de vista da flora e fauna – mas também Mindelo como cidade cosmopolita que produz personalidades de reconhecido valor internacional, apesar da sua pequena população, e o facto de termos coisas únicas no mundo como o nosso Monte Cara”, frisa Ribeiro, relembrando que Mindelo é ainda uma cidade jovem, com apenas 140 anos.

Por isso mesmo, Flores do Mindelo vai acender 140 velas na sua passagem pelo asfalto da morada para “iluminar” e dar os parabéns à cidade mais carnavalesca de Cabo Verde. Esse aspecto está presente tanto no enredo como no refrão da música, que, tal como o historial, foi revelada ontem à noite aos mindelenses. A composição “um monte de gente cara”, segundo o autor Vady, é uma homenagem às figuras mindelenses de destaque nas várias áreas, com destaque para a cultura, onde sobressaem vultos como Cise, Manuel d’Novas, Luis Morais e Biús, este último um excelente músico e animador das noites d’Mindel. “Falamos também da nossa morna, da riqueza endémica do nosso país e da necessidade de preservarmos a nossa fauna e flora. Fazer esta música deu-me um enorme prazer e espero que as pessoas venham a entender a sua essência”, comenta Vady, autor da canção do ano passado de Flores do Mindelo.

A noite de ontem serviu para FM revelar não só o enredo e a música, mas também para apresentar as suas musas, a rainha da bateria, o mestre-sala e porta-bandeira. Na verdade, o grupo não trouxe grandes novidades nesses quesitos. Volta a apostar em Laurinda Nascimento para porta-bandeira e traz Ske Évora como mestre-sala, que desfilou no ano passado pelo Vindos do Oriente. Cindimara Gomes volta a ser a rainha da bateria pelo segundo desfile consecutivo.

Ontem os segredos de Flores do Mindelo foram desvendados, mas nem tanto assim. Faltou apresentar o rei e a rainha. Com um orçamento de oito mil e 300 contos, este grupo pretende colocar nas ruas da morada 800 ou mais figurantes, três carros alegóricos, dois tripés e várias figuras de destaque.

Kim-Zé Brito